:: Sobre a escola

  • quinta-feira, março 28, 2013
Fico surpresa quando alguém questiona o fato de Alice ainda não ir à escola. Alguns dizem que ela precisa de regras. Outros, que precisa conviver com outras crianças para aprender a dividir.

Eu não concordo com nenhum ponto de vista, me desculpem. Ela convive com crianças diariamente no parquinho que frequenta. Eu também convivo e percebo que mesmo aqueles que vão à escola, não dividem. E tampoco têm regras.

Alice fica, sob minha supervisão, aos cuidados de uma pessoa que me ajuda bastante, com a casa e com ela. Uma mulher do bem, super educada, que passa valores e ensina coisas básicas à pequena.

Esta é a terceirização possível para minha maneira de trabalho. E funciona super bem. Temos regras, horários para atividades e brincadeiras. Eu oriento esta pessoa que me ajuda da maneira como quero que as coisas caminhem. Ela faz certinho. Com certeza com mais experiência do que eu. Tem dois filhos e uma paciência admirável para lidar com crianças.

Certamente não acredito que a escola tenha um papel muito importante. Não neste momento. Não para uma criança de dois anos. É claro que sua utilização é a solução ideal quando falamos em mães que trabalham fora. Sim, neste caso a escola é incrível. Se eu não estivesse por perto e as avós não pudessem assumir esta tarefa, com certeza Alice já frequentaria uma há muito tempo.

Mas esta cobrança da "sociedade" em querer que uma criança de dois ano vá à escola é, no mínimo, infundada. Criança precisa estar em casa. Sentir-se acolhida.

Depois que começa a alfabetização a criança terá que ir à escola até os 17, depois escolherá uma faculdade, daí vem um estágio, um trabalho... e pronto! está instalada a eterna-rotina do acordar cedo e trabalhar.

A primeira infância é o momento ideal para não se fazer nada, apenas brincar e ser feliz, sem nenhuma preocupação, sem nenhum entendimento "concreto" do que está por vir. E a "sociedade" quer acabar quando isso. Não entendo como as pessoas não conseguem enxergar desta maneira.

Esse lance da escolarização precoce com certeza causará desconforto em alguns adolescentes já cansados deste ritmo. Poderão se tornar adultos preguiçosos e desgastados por uma rotina exaustiva.

É este discurso que tenho vontade de fazer quando alguém me questiona sobre a escola. Mas me calo. Faço a famosa cara de paisagem. E digo: "ano que vem, ano que vem".


:: Criando pessoas melhores

  • quarta-feira, março 20, 2013
Esse vídeo rodou no facebook e eu achei incrível! Todos os dias servimos de espelho para os nossos filhos. Vale a reflexão diária para olhar pra dentro e ver qual imagem estamos passando para as crias.

Provavelmente eles vão precisar de terapia um dia (todo mundo precisa!) mas não custa nada tentar acertar o máximo possível sendo pessoas melhores com a sociedade e principalmente com o meio ambiente.

Reflitam!

:)

:: O poeta e o amor

  • quarta-feira, março 20, 2013
Eu ouço Renato Russo e me espanta a lucidez do cara. Ele escreveu coisas há 20 anos que caem perfeitamente com a realidade de hoje, principalmente de nosso país. Arrepia, sempre!

'Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos.'

'Lembre-se sempre Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...'

 *

Me emocionou conhecer o trabalho da artista Marina Abramovic. Principalmente por sua história de amor com Uwe Laysiepen. Foram loucamente apaixonados até que decidiram romper, caminharam por lados opostos a muralha da China, se encontraram, se abraçaram, se despediram... e depois de alguns anos se reencontraram em uma retrospectiva em homenagem à Marina, no MoMa de NY... o resultado é este vídeo lindo. (o amor mexe comigo, histórias lindas e loucas, mais ainda!)


 


 Para saber mais sobre Marina, sua arte e Uwe, clica aqui! Há um documentário incrível sobre ela!

 

 :)

:: Esta é a minha menina

  • sábado, março 16, 2013
Para variar depois de algumas conversas avulsas tive a ideia para este post. Pensando na criação da minha filha, sei que no início muita gente achou que a colocaria em uma bolha, protegendo-a e evitando que algumas coisas acontecessem. Pois bem, quebrou a cara quem pensou assim, me avaliando nos três primeiros meses de Alice no mundo. Depois que percebi que bebês não quebram tão fácil, rolou um estalo lá dentro e me dei conta que criava um passarinho que logo bateria asas. E assim sou, muito agarrada com minha menina, mas muito solta no que diz respeito às descobertas. Faço questão que ela aproveite cada momentinho, levando-a para conhecer lugares, para viagens aventureiras e o que mais estiver ao meu alcance. Tão logo engatinhou já colocou um bom bocado de areia na boca, tá sempre com a roupa manchadinha de alguma coisa, joelhos raladinhos... há quem diga que é falta de "meninice" uma garotinha toda desencanadinha. Eu penso de uma maneira apenas, ela está sendo criança. E como o pai disse, com todo esse jeitinho "despachado" ela é muito feminina. Mesmo sem excesso de rosa e outros acessórios.


Crianças são anjinhos, não têm sexo (e nem devem ter) definido. Já ouvi cada besteira do tipo "ai, minha menininha não vai pra areia, vai se sujar". E isso me deixa revoltada. Criança tem que se sujar, cair, levantar, ralar o joelho, aprontar. Independente de sexo. Eu não sou a mãe que vai ficar trocando a roupa milhares de vezes para ter minha "princesinha sempre limpinha e combinando". Não, definitivamente esta não sou eu. Sou a mãe que vai tirar uma foto com a cria toda descabelada e melecada das brincadeiras que fez. Essa segunda faz muito mais sentido para mim. Tenho certeza de que quando Alice crescer e se der conta disso, ela não vai me criticar por algo que não fiz relacionado a sua "estética". Ela vai me agradecer por ter deixado ela ser criança, se lambuzar, brincar, ralar os joelhos entre outras coisas mais. Porque se tem uma coisa que me alegra, é sentir meus joelhos doendo e saber que isso é resultado de uma infância feliz e cheia de brincadeiras gostosas. E vocês, o que acham sobre isso?

:: Eu voltei...

  • quarta-feira, março 13, 2013
Agora prá ficar Porque aqui! Aqui é meu lugar Eu voltei pr'as coisas Que eu deixei Eu voltei!... E voltei em grande estilo, no melhor do rei-roberto, heim, heim? Voltei porque a pulga da redação começou a picar minha bunda e a vontade de falar pra todo mundo quem quiser ler desabrochou novamente em mim. Tinha pensando em voltar no maior estilo lamentador do mundo, porque as últimas semanas não foram lá muito agradáveis, prometo contar nos mínimos detalhes mais pra frente. Mas desisti, a real é que desejei escrever novamente para desabafar. Achei que nunca mais ia me incomodar com as pessoas justificando suas cesáreas eletivas, a falta de leite, o cordão ao redor do pescoço entre outras atrocidades do tipo que ouço diariamente. Sem falar na grande massa contra o PT. Daí que decidi parar de justificar minha falta de vontade de escrever a uma ausência eterna de tempo. E cá estou! É claro que vou contar as peripécias da pequena, que está linda, com 2 aninhos (tempo, esse feio que insiste em passar voando). Mas a vontade voltou mesmo para colocar a boca no trombone. Aqui é meu canto e eu posso escrever o que quiser. Quem gostar do que lê, segue, quem não gostar: 1) deixa um comentário mal educado e anônimo ou 2) não volta nunca mais. Caguei! E essa boca no trombone vem atrelada aos meus assuntos prediletos, que nem mesmo com a incerteza de ter ou não o segundinho, deixaram de existir dentro de mim. Quem disse parto e amamentação ganha um beijo! Onde andei! Não deu para ficar Porque aqui! Aqui é meu lugar Eu voltei! Pr'as coisas que eu deixei Eu voltei!... Sem saber depois de tanto tempo Se havia alguém a minha espera Então, é isso, minha gente. Espero que haja alguém a minha espera e desejo que essa vontade toda continue e que possa ajudar muita gente com meus posts. Por que esta é minha intenção. ;)

:: Um breve até já!

  • sexta-feira, dezembro 14, 2012
imagem do google
É com aperto no coração que escrevo hoje. Por enquanto, o último post do Se for assim, tá bom! A vontade de escrever se foi, já não chega mais por essas bandas.
Sempre usei este espaço para dar mais inspiração e ajudar nas criações profissionais. Uma válvula de escape talvez. Que sempre me ajudou. Me fez encontrar pessoas especiais. Amizades incríveis, para levar para o resto da vida. Umas conheço pessoalmente, outras não, mas cada mulher porreta dessas ocupam um espaço enorme em meu coração. Graças a vocês consegui chegar onde estou nessa estrada maluca que é a maternidade. Pari, amamentei, me descobri mãe, lendo conselhos e seguindo com o apoio e o amor de cada uma.

A maioria das pessoas tenho contato através do facebook. Estamos sempre conversando, curtindo, compartilhando... é isso que vale. Criei uma página por lá para postar coisas com mais frequência, sobre assuntos variados (maternidade, maternidade e maternidade), tenho certeza que será uma experiência gostosa demais. Vou deixar o blog aberto mais um pouquinho, mas ano que vem deixarei as chaves guardadas para a pequena Alice abrir e ler quando for oportuno.

Quem sabe um dia não decido voltar a escrever e abro novamente, ou crio um novo espaço! Veremos como será!

Um beijo enorme. Gratidão é o que sinto. Gracias, gracias!

-> quem quiser saber um pouco da história deste blog, pode ler aqui! 

:: Sobre ser mãe.

  • quinta-feira, outubro 18, 2012
Achei esta linda poesia passeando pelo Facebook. Uma pena não saber quem escreveu, é lindo demais. Se alguém souber, avisa :)

"Respira. Serás mãe por toda a vida.
Ensine as coisas importantes. As de verdade.
A pular poças de água, a observar os bichinhos, a dar beijos de borboleta e abraços bem fortes.
Não se esqueça desses abraços e não os negue nunca. Pode ser que daqui a alguns anos, os abraços que você sinta falta, sejam aqueles que você não deu.
Diga ao seu filho o quanto você o ama, sempre que pensar nisso.
Deixe 
ele imaginar. Imagine com ele.
As paredes podem ser pintadas de novo, as coisas quebram e são substituídas.
Os gritos da mãe doem pra sempre.
Você pode lavar os pratos mais tarde. Enquanto você limpa, ele cresce.
Ele não precisa de tantos brinquedos. Trabalhe menos e ame mais.
E, acima de tudo, respire. Serás mãe por toda a vida. Ele será criança só uma vez"

(Anônimo)- tirado do grupo 4mom's





:: Alice

  • quarta-feira, outubro 10, 2012
Algumas fotinhos de abril deste ano. Faz apenas 6 meses e eu já morro de saudade!






:: Sobre a vida e a morte...

  • sexta-feira, outubro 05, 2012
Muita gente tem me perguntado sobre meu amigo. Quem me acompanha pelo facebook já deve estar sabendo, mas na própria madrugada de segunda-feira, ele nos deixou. Não aguentou... se foi.

É muito triste saber que não o verei mais, que ele não estará mais aqui nos divertindo. Talvez se ele reagisse, teria ficado com alguma sequela, não dá para saber. Mas o destino estava certo e com certeza a morte já estava ali, prescrita em sua vida.

Eu fiquei muito chocada, muito abalada emocionalmente. Tudo isso me gerou uma insegurança absurda. Medo de morrer e deixar minha filha, medo de perdê-la. Aos poucos a ferida vai cicatrizando e a dor sendo amenizada.

Hoje conversei com a mãe dele e ela parece mais forte do que no velório. Lá encontrei um olhar perdido, uma pessoa desolada, derrotada, sem ânimo de viver. Hoje ela sorriu ao telefone demonstrando coragem e vontade de se recuperar.

Me contou da saudade do cheiro de pão na chapa que ele fazia pela manhã, disse que o quarto está como ele deixou. Rimos lembrando que eu, ainda grávida da Alice, desejava comer o que ele trazia de marmita... inclusive cheguei a filar uma boia algumas vezes.

Rimos lembrando que ele era um menino de Deus, que frequentava a Igreja, ia aos cultos, nunca bebeu nem fumou. Sempre carinhoso e amável... viver 26 intensos anos cheio de pureza e alegria.

Era um garoto muito humilde, de procedência simples, contava que muitas vezes tinha aquele arroz, feijão e ovo para comer, mas nunca, nunquinha deixava de sorrir.

Marido e eu muitas vezes brincávamos com o fato dele sempre ir à Igreja e nunca sequer imaginamos que iríamos um dia pisar aquele chão de que ele tanto falava. Ao sair do velório eu olhei pro Gu e disse: quem diria, nós na Igreja do Agenor. E é isso, a vida é uma caixa de surpresa. Não sabemos o que está por vir.

Melhor do que insegurança, é sentir prazer e muito desejo de viver intensamente, amando ao próximo, respeitando todos e construindo uma linda história para que no dia que não estiver aqui, possam lembrar de mim com carinho.

No sábado, na última conversa que tive com meu amigo, ele se dizia triste com a vida, senti que queria entregar os pontos, que estava decepcionado com a namorada e momentaneamente frustrado.

Marido foi o último a vê-lo, disse que ele saiu rodopiando e dançando pelo salão de festas que estavam, sentou no piano, tocou uma música e sorriu muito, como sempre fazia.

Esta semana eu só consegui olhar para o banco que sentamos no sábado e chorar, me questionando o porquê disso, dessa desatenção, de ter dormido.

Cheguei a pensar que ele entregou os pontos, que apesar da ânsia de viver, não teve força de vontade o suficiente para reagir ao sono. Dormiu, dizem que é muito fácil dormir ao volante.

Hoje tive uma notícia que me frustrou ainda mais. Não posso dizer que é decepção, mas afirmo que me entristece ainda mais a alma.

Ele estava sem cinto de segurança (e olha que ele sempre usava o cinto, SEMPRE), não sei se esqueceu pelo cansaço ou se simplesmente não usou. Quando bateu, o ponteiro marcava 92 km/h. Ele atravessou o vidro e bateu a cabeça no poste. A essa velocidade, a pancada deve ter sido muito forte.

Quando soube disso tive vontade de brigar com ele, de voar em seu pescoço. Que irresponsabilidade não usar o cinto, justo ele que era tão certinho e competente. Que falha...

... mas prefiro pensar nele com aquele sorriso no rosto, sabendo que vai deixar saudade, e não em alguém que simplesmente entregou os pontos e desistiu de viver!

"É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
Seguro de que vale ser aqui
De que vale ser aqui onde a vida é de sonhar
Liberdade"





:: Sobre o que dói...

  • domingo, setembro 30, 2012
A verdade é que a vontade de escrever sempre chega nos momentos mais tristes. Pois então vou desabafar. Hoje a sombra da morte chegou até minha família através de um amigo muito querido. Ele sempre trabalhou com a gente nos eventos. Um cara 100%. Apaixonado por sua família, dedicado, humilde, guerreiro.

Ontem quando se despediu de mim, depois de conversarmos um pouco, percebi que quis me abraçar, mas deu tchau e partiu para o evento com meu marido. Antes de irem, conversamos coisas sobre o dia a dia, ele me disse estar em crise com a namorada, falou da insatisfação do trabalho que tem de segunda a sexta, contou que a vida andava estranha com ele. Eu até pensei que algo muito grande estaria para acontecer. Tormentas geralmente trazem novos ares e às vezes até um dia de sol bastante bonito.

Marido chegou em casa quatro e meia da madrugada, depois de uma noite cheia de trabalho. Meu amigo pegou seu carro e as cinco bateu em um poste. Dizem que dormiu, que a batida não foi tão forte, mas que um choque com o volante o deixou com um traumatismo craniano.

Tristeza e impotência resumem. Pensar que um rapaz de quase 25 anos está em coma em um hospital dói muito. Dói porque é uma pessoa querida. Dói porque ele tem uma mãe chorando ao seu lado. Dói porque além de amiga, sou mãe.

Mesmo sabendo que tragédias acontecem todos os dias, dói porque dá medo. De perdê-lo. De perder as pessoas que amamos. Sabemos que nada é eterno, mas esses momentos acabam com a gente. Pelo menos comigo.

Daí me questiono profundamente sobre tudo, principalmente sobre as coisas que nos levam a discussões diversas e chego a conclusão que independente desta mãe ter tido uma cesárea ou não ter amamentado essa cria, o sofrimento dela é imenso. Amor incondicional é único, e é de mãe para filho, independente de qualquer coisa.

A última coisa que uma mãe que está passando por isso agora merece (e todas as outras mães também) é sentir-se culpada. A vida é cheia de surpresas, não sabemos o que está por vir, nem conseguimos projetar perfeitamente o futuro. Basta de sofrer antecipadamente. Basta de julgamentos cabeludos.

Por isso, o meu desejo hoje é que as diferenças sejam deixadas de lado. Que as orações acalentem o coração dessa mãe e de todas as outras que um dia perderam seus filhos ou estiveram cara a cara com a morte de sua cria.

Por que no final, o que vale mesmo, é o amor!

Boa noite!

:: Assim como veio se foi, não se sabe pra onde...

  • sábado, agosto 11, 2012
... Mas a vontade de escrever, sumiu. Não sei onde foi parar, quem levou. Mas a verdade é que não tenho mais paciência, não. Começo e não termino. Nunca tive tantos posts salvos como rascunho, Pela metade. Talvez pelo excesso de trabalho, pelo desejo de estar ao lado da minha família nas horas vagas, correndo pela grama, vendo tevê ou comendo chocolate.

A última vontade que sinto é de abrir meu blog e postar qualquer coisa. De duas, uma. Pode estar acabando aqui a linda história desse blog. Ou, pode ser uma fase de bode que passará e em breve o desejo acenderá e eu retomarei com a coisa toda.

Esperemos.

:: Os dentes

  • sexta-feira, julho 20, 2012
É engraçado que a gente sabe que eles vão nascer e fica tentando adivinhar quando, sem muito sucesso. 

Nossa, tá babando demais, são os dentes. O cocô tá mole, são os dentes. Tá quentinha, 38 graus, são os dentes. Tá acordando de madrugada, são os dentes. Não quer comer, dentes. Chororô sem fim, dentes.

Parece que a gente precisa sempre descobrir os motivos dos bebês serem bebês. Tadinhos!

Alice tem dentes desde os 11 meses. Começou com dois, hoje já são sete. Sempre fiquei um pouco preocupada por ela não conseguir mastigar direito, apesar do esforço. Pra morder uma banana é uma beleza, mas mastigar um pedaço de carne sem os molares, nossa, quanta dificuldade.

Daí ontem a vi devorando uma espiga de milho. Morde daqui, chupa dali. Acabada a coisa, decidi dar uma averiguada na boca cheia de milho e para a minha surpresa lá estavam os molares, querendo sair. Tudo junto ao mesmo tempo. Dois superiores e dois inferiores.

Ai, que emoção, a minha filha "mastigadeira" terá quatro molares muito em breve. Poderá comer a mais saborosa carninha de churrasco ou o mais delicioso pão com requeijão sem precisar deixar a comida por horas a fio na boca.

Outro dia estávamos vendo a Turma do Cocoricó e comendo pãozinho. Ficamos nisso uns 15 minutos. Daí decidimos dar uma volta de motoca pela casa, depois fomos ler uns livrinhos e ao final, passados 50 minutos do momento pão, Alice abre a boca, saca um cadáver de pão, o pega com a mini-mão e diz: tô mamãe.

Eu, que a essa hora já tinha até esquecido do pão, fiquei uma mescla de surpresa-com-nojo, peguei aquela massa molhada e melequenta e joguei fora.

Daí pensa na minha alegria ao constatar que meu pequeno baby terá quatro dentes feitos para mastigar-sem-fim comidas mais durinhas e cheias de fibras. Que delícia.

Só não sei ainda se o perrengue maior (cocô mole, febre, babação-sem-fim, noites em claro) começam agora, ao nascer dos dentes ou já rolou enquanto eles estavam em busca da luz do sol (ou do céu da boca). Eu senti as serrinhas. Espero que o pior já tenha passado e que agora seja apenas o momento de curtir e devorar pedaços cada vez maiores e mais saudáveis (cof cof).

Faz tempo que Alice come nossas comidas numa boa. Pouco sal, pouco óleo, tudo na medida para um bebê de 16 meses. E ela adora, se for do nosso prato então, melhor ainda. Mas as campeãs são as frutas. Tenho o maior orgulho dela fazer careta para a bolacha maisena e pedir toda cheia de certeza a mexerica.

Ainda sobre os dentes e para fechar o post. Ela adora escovar os dentes. Aqui em casa não somos do tipo quartel geral para a escovação. Tipo forçar para abrir a boca e mostrar os dentes. Para mim, desse jeito vou traumatizar a menina. Mas temos horário certo para escovar. E sempre que a avisamos ela corre para o banheiro para pegar a escova e a pasta. Usamos a da Weleda e nossa, Alice ama aquilo. A verdade é que ela vai logo comendo e pedindo mais. Mas a gente explica como faz, mostra e escova junto. Acho mais importante que forçar, criar o hábito e deixar que aconteça de maneira gostosa. Por aqui tem dado certo.

;)



:: Nó no peito

  • quinta-feira, julho 19, 2012
Hoje fui até a praça ver Alice brincando. Depois de tanta chuva e tempo feio, até eu precisava tomar um sol no esqueleto.

Chegando lá a vi toda prosa, brincando, correndo. Ficou toda-toda quando me viu e quis, imediatamente, mamar.

Junto com ela, além da babá, estava mais uma babá e um bebê da mesma idade. Um pouco menor por ter nascido prematuro. Lindo, fofo e cheiroso.

Brinquei um pouquinho com ele, o consolando das garras da minha filha que há pouco tinha avançado nele. Dei beijinho na mãozinha mordida e pedi desculpas, explicando que ela também é um bebê e as vezes perde a noção (normal para bebês de 16 meses). Que fase essa das mordidas e afagos mais violentos, não? Como lidar com isso é uma ótima questão mas ficará para um próximo post.

Logo que Alice terminou de mamar, percebi que o bebê estava fitando meu peito. Estava no colo da babá, pediu para ir para o chão e veio em minha direção. Mostrou de novo, com a maior cara de dó desse mundo, a mão mordida por minha filha (como quem diz, doeu) e pediu colo. O peguei e ele colocou a mãozinha dentro da minha blusa. Olhava para mim e para o meu peito. Como quem diz, libera aí, tia.

Falei para ele ir com a babá que eu já estava voltando ao trabalho e ele grudou ainda mais em mim. Quando a babá o pegou, ele começou a chorar copiosamente apontando para mim.

Gente, quase morri. Queria arrancar a blusa e amamentar aquela cria carente. Não fiz isso. Mas me justifiquei para a babá: olha, dona babá, eu queria muito ajudar, mas a mãe dessa criança não ia gostar nada disso.

Segundo a babá, a mãe não dá muita atenção. O bebê ainda mama, mas ela não quer saber dele. Deixa ele chorando, joga no colo dela. E só amamenta mesmo nos finais de semana, quando a babá não está. Segundo a babá, é ela quem dorme com a criança no quarto e quem atende à noite quando ele acorda. A mãe não gosta muito disso de levantar mil vezes e tal.

Não quis ficar julgando muito a mãe da criança por não me fiar muito de todas as babás. Mas a verdade é que aquela criança me pareceu um tanto carente.

Também não quis julgar muito a babá por ter medo de pensar se ela realmente cuida direito daquele bebê.

Mas, intuitiva que sou, percebi que algo não vai bem na vida daquela criança. Aquilo mexeu demais comigo. Sei que os pequenos sentem o cheiro do leite, entendem, querem também. Mas a maneira como ele se agarrou no meu colo foi surpreendente. Nunca aconteceu. Ele parecia dizer: me dá mais um pouquinho de carinho. E isso partiu meu coração.

Parece que ele sentiu o pouquinho de amor que dei para ele. Ai, gente, queria roubar aquele bebê para mim. Tenho tanto amor para dar.

Confesso que fiquei com vontade de adotar uma criança. Para amar, cuidar, estar ao lado.
Tive a certeza que conseguirei amar quantos filhos a vida me der. Tenho muito amor mesmo, e muita paciência. Para amamentar, afagar, encher de beijos.

Depois, a moça que cuida da Alice me disse que a mãe daquele bebê trabalha em home-office. Fiquei sem entender os motivos de tanta carência ou o porquê dela não amamentar em livre demanda. Aqui rola super bem sem atrapalhar meu trabalho...

... mas enfim, não vou me infiltrar na casa da criança (apesar de morrer de vontade) para saber o que acontece. Essas coisas são pessoais e intransferíveis. Não posso me meter.

Também não julgo quem não pode estar sempre por perto. Eu acredito muito na qualidade do tempo, mais do que na quantidade. Eu, depois de me tornar mãe, descobri que preciso trabalhar, estar na ativa. Não sou do tipo que gosta de ser do lar e ficar o dia inteiro com a cria. Tenho o formato perfeito de trabalho pois posso acompanhar Alice sem precisar de câmeras ou creches em período integral. Por isso não julgo, tampouco culpo. Mas o tempo com a cria tem que ser bem aproveitado. Tem que amar, liberar o peito, apertar, cheirar, botar para dormir junto... isso tudo é fundamental. Crianças felizes e bem amadas tornando-se adultos seguros e independentes.

Daí, no final das contas, acabei lembrando de uma conversa que tive num domingo qualquer com minha irmã sobre mães, babás, presença, televisão... e depois ela me indicou um texto, que também me deu um nó no peito e uma imensa vontade de chorar.

Compartilho com vocês.

Confiram AQUI e me digam o que acham!

;)




:: Os 16 meses e as fofices-sem-fim!

  • terça-feira, julho 17, 2012
Alice com 16 meses consegue ser o bebê mais gostoso do mundo.

Ela fala tudo do seu jeitinho. Imita, canta, nos surpreende.

Outro dia mesmo, perguntamos como faz o au-au, e ela imitou. Depois, sem nunca ninguém ter ensinado, imitou a gata. E riu, sabendo que estava fazendo graça.

Hoje, enquanto ela mamava, perguntei novamente como a gata faz. Ela parou de mamar e imitou, rindo, para logo em seguida, voltar a mamar.

E quando ela desembesta a falar, para e nos olha séria esperando uma resposta? Como faz?

Eu entendo muito do que diz, mas às vezes fico parada tentando decifrar. Quando finjo que entendo, ela fica brava e repete muitas vezes mais o que quer dizer.

_

Desde RN o banho dela é no chuveiro. Hoje em dia, ela entende que ficar embaixo da água é muito mais legal do que saracotear pela banheira. É uma graça vê-la ali embaixo do chuveiro como um ser humano todo certo do que quer. Morro de amor, gente, não tem como não morrer.

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Ela teve seu primeiro resfriado e eu entendi o quanto um bebê pode ser escatológico. É ramela e ranho para dar e vender. É um tal de limpa aqui, escorre ali. Gente! Quanta nojeira.

E eu, que era super fresca com a catota alheia, aprendi a comer com uma mão e limpar o nariz da pequena com a outra.

_

E ela mama, mama muito. É vidrada pelo peito. Pede um, outro, fica indignada quando percebe que o leite acabou e que vai ter que esperar para mamar um pouco mais.

Eu tenho me apaixonado cada vez mais. Amo amamentar e não quero nem pensar em desmame. Agora não!

Tem dormido cada vez mais comigo na cama. Tem sido gostoso, principalmente nas noites mais frias de inverno. Mas em breve pretendo muda-la para seu quarto. Fiz uma faxina geral, deixei o quarto lindo, cheio de brinquedos, super colorido. E agora ela ama aquele lugar.

_

Nunca ensinamos, mas Alice ama brincar de boneca. Pega as bonecas, coloca para dormir, dá comida, dá água, dá banho, troca a fralda e as coloca para mamar nos meus peitos... pode isso, Arnaldo?


É tanta fofura e tanto amor, que muitas vezes fico olhando para ela e me surpreende como posso ama-la a cada segundo um tantinho mais...

:: Para Alice

  • segunda-feira, julho 16, 2012
Filha,

O mais importante de tudo, é saber perder. Participar honestamente e perder com classe. Sem raiva, sem desejar o indesejável, sem chorar, sem se frustrar.

Ontem, quando vi o resultado de um Concurso que participei de cara limpa, fiquei triste e tive vontade de chorar.

Deu um aperto no peito e um engasgo na garganta. Escrevi sobre meu maior projeto e não consegui emocionar a pessoa do outro lado da tela.

Escrevi com o coração, sobre seu nascimento, minha filha. Mas não deu. E nem tudo acontece como a gente quer. Por isso, aprenda, minha querida, a frustração enobrece a alma. Saber perder, engrandece o caráter.

*

Assim que desliguei o computador e te olhei sorrindo no colo do papai, tive a certeza de que nada daquilo importava mais.

Você é meu maior projeto e está aqui comigo. Posso te abraçar, te cheirar, te amar infinitamente.

Construí com muita garra nossa história de parto. Batalhei e consegui com excito traze-la ao mundo. Da maneira que queria. Do jeito que sonhei. Esse prêmio é meu e o exponho com orgulho a todos que puder.

*

Envolvi muita gente na minha campanha desse Concurso. Pessoas que desconheciam minha história, meu parto. Pessoas que admiraram minha coragem e aplaudiram minha história. Isso também é parte do prêmio.

Engraçado como as pessoas que nos amam também se frustam, elas simplesmente acreditam na gente por nos amar. E se entristecem junto. Isso é amor, e não cabe no peito.

Muita gente confiou em mim, e a decisão final não me pertencia. Isso também faz o coração apertar e uma lágrima querer cair.

Eu sou uma mulher cheia de bandeiras, filha. Levanto as que acredito. Brigo por elas. Talvez esse caminho seja o início de uma não-vitória. Muita gente acredita que o nascer não seja o mais importante. Acha baboseira isso de ser natural.

Muita gente prefere histórias mais suaves. O nascer não deve lá arrancar lágrimas de todo mundo. E isso é o direito que cada um tem.

Mas fica a lição, pequena, sua mãe seguirá levantando bandeiras e defendendo causas. Saber perder é saber usar a sabedoria. É saber aceitar a frustração. E isso, filha, sua avó me ensinou desde pequena.

Eu jogava baralho com ela e a deixava ganhar para vê-la feliz. Principalmente, por acreditar no coletivo. Eu sou muito melhor em grupo. Sozinha, sou apenas eu.

Por isso não deixei a tristeza me pegar. Respirei fundo e cá estou, pequena, tentado fazê-la entender um pouco da vida diante de uma situação tão simples mas que pode tocar a gente profundamente.

Um beijo,

Mamãe


:: Sobre meu pai e meu time!

  • quarta-feira, julho 04, 2012

Hoje não tem concurso que tire o foco no meu time. Aficionada que sou, tô com o coração batendo mais forte desde quarta passada. Hoje então, parece que vai explodir. Nossa!

Torcendo muito para curtir a vitória. Se perder, vai doer muito.

(texto original de 28.04.2009)




E quando estava já bem doentinho, nos últimos dias da vida, o que mais o animava eram os jogos de futebol. Lembro como se fosse hoje, apesar de já ter passado 4 anos.
Ele ligava a TV e ficava assistindo, vibrando... e eu sempre torci pro Corinthians ganhar, como ele me ensinou.

Quando era pequena, assitia junto e quando ganhava íamos à pizzaria pra comemorar. É inesquecível. Bandeiras, buzinas e afins.

Imagina se eu não ia torcer pro Timão ganhar, justo nos últimos dias de vida dele. Queria que ganhasse mais para minimizar a dor do que para comemorar a vitória.

Lembro que certa vez, nos últimos dias, ele me disse para nunca deixar de torcer para o meu time do coração. E eu fiz que sim com a cabeça.

Toda vez que vejo um jogo, ouço qualquer coisa a respeito, ou até mesmo no sambódromo quando vi a Gaviões desfilar, senti e sinto, sempre, um aperto no peito e um nó na garganta.

Tenho muita vontade de falar com meu pai! De ligar e dizer: pai, nosso time ganhou!!!

E aí tento entender um pouco sobre a vida! Sobre a ausência. Sobre como é difícil lidar com certas perdas!

E acho que vem a calhar:

Linha de Passe


Assisti e adorei.
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